Criptomoedas não estão em crescimento no Brasil, diz presidente do Banco Central


O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, declarou, durante evento da Legend Capital, em São Paulo, que o uso de criptomoedas não está crescendo no Brasil e, tampouco, nos países emergentes. Segundo ele, o que cresce é o uso de stablecoins.

“O que está em crescimento não são as criptomoedas, mas o que a gente chama de stablecoin. As pessoas estão entendendo que elas são uma forma barata de ter conta em dólar porque, das stablecoins, 99,9% é dólar. Tem países que você tem moeda que não é conversível e as pessoas têm desejo de ter uma conta em dólar. Hoje, se quiser ter conta em dólar e for brasileiro, você precisa ter um volume alto de recurso, mas, você pode comprar stablecoins e de certa forma você abriu uma conta digital em dólar”, disse.

No entanto, ele também apontou que o crescimento das ‘criptomoedas estáveis’ sofre com a falta de confiança na garantia de que haverá lastro para cobrir os ativos digitais. Um questionamento que sempre esteve presente na indústria cripto (desde pelo menos 2014, com o lançamento da Realcoin, que depois foi renomeada para Tether) e gerou ainda mais preocupações com a quebra da stablecoin algorítmica UST, do ecossistema Terra (hoje Terra Classic).

“As pesquisas apontam que as pessoas querem ter conta em dólar, mas tem medo das stablecoins também, pois não acreditam no colateral, porque não sabem se do outro lado da transação há realmente o dólar. Se você tivesse stablecoin com mais transparência e segregação de contas, acho que ia crescer bem mais rapidamente”, afirmou.

De fato, levantamentos da Receita Federal, realizados mensalmente desde 2019, indicam crescimento significativo do uso de stablecoins. Esse crescimento chamou a atenção da Receita Federal que vem acompanhando essa expansão que já movimenta trilhões de dólares em todo o mundo.

No Brasil, os dados do fisco indicam que as stablecoins mais negociadas são a USDT (Tether) e a USDC, ambas com paridade com o dólar americano, além de BRZ, que tem a paridade vinculada ao real brasileiro.

Segundo a RFB, a partir da análise de dados públicos é possível observar uma mudança significativa no perfil das transações envolvendo criptomoedas nos últimos anos. A negociação de Bitcoin e outras criptomoedas foi superada em larga escala pela movimentação de stablecoins como o Tether.

O gráfico abaixo ilustra claramente o aumento do volume de transações com esses novos ativos, refletindo a mudança na preferência dos usuários. Essa mudança merece atenção, pois pode ter implicações significativas no cenário tributário e regulatório das criptomoedas no país.

Drex

Durante o evento, Campos Neto também falou do Drex, a CBDC do Banco Central do Brasil. Ele destacou que a moeda digital representa um grande passo do BC na digitalização da economia, mas também é um grande desafio e que nele, a colaboração do setor privado tem sido essencial.

“Para fazer os contratos é difícil, porque a máquina pública não programou esse tipo de contrato e, para gestão moderna, eu preciso desse tipo de contrato”, destacou.

Sem mencionar o atual estágio de testes do Drex, no qual as soluções de privacidade testadas tem demonstrado a necessidade de adaptações, fato que pode ‘atrasar’ o cronograma inicial de lançamento previsto para o final de 2024, Campos Neto afirmou que a opção do Drex trabalhar com depósitos tokenizados foi uma escolha para evitar problemas com a intermediação bancária.

“É uma ideia que a gente lançou e está sendo adotada por outros bancos centrais, isso é super reconhecido lá fora”, afirmou



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